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(Foto: Gilson Boschiero/RSN)
SÉRIE "LIBERDADE VIGIADA"

Presos contam a experiência de trabalhar dentro da PEG UP

Na primeira reportagem sobre trabalho, os presos disseram que são valorizados. "Você chega com uma cabeça e sai com outra", disse um dos entrevistados

Gilson Boschiero
Gilson Boschiero Jornalista
4 min de leitura

(Foto: Gilson Boschiero/RSN)

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(Foto: Gilson Boschiero/RSN)(Foto: Gilson Boschiero/RSN)
O trabalho dos presos em uma das fábricas dentro da PEG UP, ajuda na remição da pena (Foto: Gilson Boschiero/RSN)[/caption] Uma das referências de uma unidade de progressão é a possibilidade dada ao interno de estudar e trabalhar. Para se ter uma ideia, em uma unidade como a PEG UP, a cada três dias trabalhados, o preso tem um dia remido na pena. Assim, essas chances têm sido promessa de uma transformação de vida, como afirma abaixo, um dos internos. https://youtu.be/5hM9zH4HQMQ E ao participar de atividades que envolvem trabalho e estudo, ele e os outros 135 presos da PEG UP, reduzem o tempo dentro da unidade com a remição da pena. “Te valorizam, aqui tem estudo, aqui tem disciplina, aqui tem muita remissão por leituras, trabalho. Então é a pessoa que quer mudar mesmo. Então aqui é o lugar certo”. [caption id="attachment_190705" align="aligncenter"]
(Foto: Gilson Boschiero/RSN)(Foto: Gilson Boschiero/RSN)
(Foto: Gilson Boschiero/RSN)[/caption]

PARANÁ É O SEGUNDO DO BRASIL

Atualmente, o Paraná é o segundo Estado do Brasil, com o maior número de presos trabalhando. De acordo com o Departamento Penitenciário Estadual (Depen), são 7.002 presos custodiados que trabalham em projetos para a remição de pena, em todas as unidades penais do Estado. Esses números representam 30% da população carcerária do Paraná. De acordo com o advogado criminalista e professor de direito penal Loêdi Lisovski, o nosso sistema foi projetado para a ressocialização pelo trabalho, como ele explica no vídeo abaixo. https://youtu.be/-47AZl15_Xw Em entrevista exclusiva ao Portal RSN (vídeo abaixo), outro preso da PEG UP afirmou que são muitas as possibilidades de trabalho, dentro e fora da unidade prisional. https://youtu.be/z3uZ3Ppbnm0 No Paraná, 1.727 detentos do Sistema Penitenciário do Estado trabalham em fábricas instaladas dentro das próprias unidades prisionais. Na Penitenciária Estadual de Guarapuava - Unidade de Progressão existem duas fábricas: uma de palitos e a outra de calçados de segurança. Porém, como não há vagas para todos, quando o preso não vai para a fábrica, ele não deixa de trabalhar. Assim, ele poderá ser absorvido no canteiro externo, conforme a oferta. Ou ainda trabalhará na limpeza, na conservação e na manutenção da penitenciária. Com isso, serviços de faxina e manutenção que seriam terceirizados, acabam sendo feitos pelos internos mesmo. [caption id="attachment_190696" align="aligncenter"]
Fábrica de botina na PEG UP emprega 47 presos (Foto: Gilson Boschiero/RSN)Fábrica de botina na PEG UP emprega 47 presos (Foto: Gilson Boschiero/RSN)
Fábrica de botina na PEG UP emprega 47 presos (Foto: Gilson Boschiero/RSN)[/caption]

CONHECENDO A KADESH

Na PEG UP 47 internos trabalham na fábrica botinas da Kadesh, em diversos setores e funções. O turno é de 7h20 por dia, de segunda a sábado. A empresa que produz calçados de segurança tem matriz em Imbituva. Mas tem dentro da penitenciária, um braço da produção. [caption id="attachment_190695" align="aligncenter"]
(Foto: Gilson Boschiero/RSN)foto peg fabrica botina
Internos trabalham 7h20 por dia e produzem em média 4 mil pares de botina por dia (Foto: Gilson Boschiero/RSN)[/caption] As máquinas não param. A produção média é de 4 mil pares por dia. Entre as funções, os internos fazem a costura programada do cabedal, que é a parte de cima da botina. Na ponta da agulha, a precisão da costura leva cerca de 15 segundos, como é possível ver abaixo. https://youtu.be/20S_Xw83xzA

RESPEITO

Thomas Israel Vaz de Lima Brandão é supervisor de produção. Está na empresa há apenas 1 ano e quatro meses. Mas falou com o Portal RSN sobre a relação que tem com os internos. “É um trabalho tranquilo. O respeito é grande. É preciso respeitar para ser respeitado. Mas eles são funcionários da empresa. Tenho que tratar como funcionários. E o que diz respeito ao trabalho, tento ajudá-los”. Conforme a direção da Penitenciária Estadual de Guarapuava - Unidade de Progressão, os internos se profissionalizam, conseguem a remição da pena e ainda se preparam para retornar ao convívio social. [caption id="attachment_190704" align="aligncenter"]
(Foto: Gilson Boschiero/RSN)(Foto: Gilson Boschiero/RSN)
(Foto: Gilson Boschiero/RSN)[/caption] “Incentivamos que os presos aprendam e se profissionalizem, para que ajude na reinserção deles ao mercado de trabalho após a estada no cárcere”, afirma o secretário Estadual da Segurança Pública, Rômulo Marinho Soares. Na quinta reportagem da série "Liberdade Vigiada", você vai acompanhar a segunda parte da reportagem sobre o trabalho que ajuda na remição da pena dos internos da unidade. As vantagens para as empresas contratantes. Além disso, o salário que os presos recebem e com quem fica o dinheiro. Leia outras notícias no Portal RSN.

Sobre o autor

Gilson Boschiero

Gilson Boschiero

Jornalista

Possui graduação em Jornalismo, pela Universidade Metodista de Piracicaba (1996). Mestre em Geografia pela Unicentro/PR. Tem experiência de 31 anos na área de Comunicação, com ênfase em telejornalismo e edição. Foi repórter, editor e apresentador de telejornais da TV Cultura, CNT, TV Gazeta/SP, SBT/SP, BandNews, Rede Amazônica, TV Diário, TV Vanguarda e RPC. De 2015 a 2018 foi professor colaborador do Departamento de Comunicação Social da Unicentro - Universidade do Centro-Oeste do Paraná. Em fevereiro de 2019, passou a ser o editor chefe do Portal RSN.