A Itaipu Binacional informou nesta sexta (6) que a liquidação do Banco Ueno, no Paraguai, não compromete as operações da margem brasileira da hidrelétrica. Segundo a administração, não existem recursos financeiros brasileiros aplicados na instituição, cuja quebra desencadeou uma grave crise econômica e política no país vizinho. A gestão brasileira também descartou impactos sobre os fundos previdenciários dos aposentados vinculados à usina. Isso porque a binacional opera com duas contas separadas: uma do lado brasileira e outra no Paraguai.
Assim, a situação é diferente na margem paraguaia. Informações apontam movimentações de pelo menos R$ 274 milhões no banco, embora esse montante não represente necessariamente o saldo bloqueado na liquidação. A instituição figurava entre os bancos utilizados pela administração paraguaia de Itaipu, levantando questionamentos sobre os critérios de aplicação e a exposição de recursos públicos.
Outra preocupação envolve a Caixa Paraguaia de Aposentadorias e Pensões do Pessoal de Itaipu (Cajubi). O fundo informou possuir aproximadamente R$ 90 milhões aplicados no Ueno, equivalentes a 2,8% do patrimônio. A exposição é restrita à entidade previdenciária paraguaia e, conforme a administração brasileira, portanto, não atinge os benefícios dos aposentados vinculados ao lado brasileiro da usina.
O Banco Ueno foi submetido à intervenção do Banco Central do Paraguai após a identificação de insuficiência de capital. Com aproximadamente três milhões de clientes, a instituição concentrava depósitos de particulares e de órgãos públicos, incluindo recursos previdenciários. A crise provocou restrições ao acesso às contas e ampliou a pressão política sobre o presidente Santiago Peña, que enfrenta um processo de impeachment.