A merenda escolar de Ponta Grossa está no centro de uma crise que coloca em xeque a fiscalização dos contratos terceirizados e a segurança alimentar das crianças. Nessa quinta (29), a cozinha da Escola Municipal Prefeito Doutor Amadeu Puppi, na região da Boa Vista, foi interditada após a identificação de baratas, inclusive dentro de freezers, focos de insetos e alimentos vencidos.
O episódio ocorreu durante as investigações da CPI das Terceirizações da Câmara Municipal, que apura irregularidades nos serviços de alimentação, limpeza e conservação das escolas municipais.
Depoimentos apresentados à CPI apontam problemas que podem ser mais amplos. A nutricionista Sonia Cesca, fiscal de contrato da Secretaria Municipal de Educação, relatou 37 notificações por falhas na prestação dos serviços. Destas, cinco relacionadas a carnes e outras envolvendo alimentos vencidos, transporte inadequado e insuficiência de funcionários.
A presidente do Conselho de Alimentação Escolar, Patrícia Malkut, também relatou o recebimento de carnes com excesso de gordura, nervos, odor inadequado e fragmentos que aparentavam ser de plástico. Em uma unidade, segundo o depoimento, teriam sido entregues apenas quatro quilos de carne quando a necessidade era de 14 quilos.
Outro dado preocupa: o contrato prevê 280 merendeiras. Entretanto, conforme relato à CPI, o número de profissionais disponíveis não estaria sendo integralmente cumprido.
A situação ganha gravidade diante do histórico recente. Em maio, a Prefeitura suspendeu cautelarmente o contrato n.º 618/2025, firmado com a empresa Ômega Alimentação e Serviços Especializados S/A. Isso ocorreu, após reiterados descumprimentos contratuais identificados desde fevereiro.
SECRETARIA DE EDUCAÇÃO RESPONDE
A Secretaria Municipal de Educação informou que identificou irregularidades na quarta (28) e acionou a Vigilância Sanitária, que compareceu à escola no dia seguinte.
A Prefeitura anunciou adequações entre 30 de outubro e 2 de novembro, com possibilidade de reavaliação para utilização da cozinha a partir de terça (3). Também prometeu apurar eventuais responsabilidades. Durante a interdição, a alimentação dos estudantes passou a ser preparada em outros espaços.
Presidida pela vereadora Enfermeira Marisleidy Rama e relatada pelo vereador Ede Pimentel, a CPI deverá esclarecer possíveis falhas de fiscalização, execução contratual e cumprimento das exigências sanitárias.