O deputado federal Zeca Dirceu (PT) critica o modelo econômico do presidente argentino Javier Milei, defendido pelo senador Flávio Bolsonaro. Em artigo publicado em março de 2026, o parlamentar classificou a proposta do senador como “Milei tropical” e alertou para os impactos sociais das políticas de ajuste.
No primeiro semestre de 2026, conforme o deputado, a pobreza atingiu 32,3% da população dos 31 aglomerados urbanos pesquisados na Argentina, ante 28,2% no semestre anterior, segundo o Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). A extrema pobreza subiu de 6,3% para 7,5%. Entre crianças de até 14 anos, o índice chegou a 44,5%.
O setor produtivo também registra dificuldades. Levantamento do Centro de Economia Política Argentina (CEPA) apontou o fechamento de mais de 32 mil empresas entre novembro de 2023 e julho de 2026, além da perda de centenas de milhares de empregos formais. Já o encerramento do programa social Volver al Trabajo retirou o benefício de quase um milhão de pessoas, segundo o jornal Página/12.
As reformas trabalhistas aprovadas em 2026 também provocaram reação de sindicatos. As mudanças incluem jornadas de até 12 horas em determinadas condições e alterações nas regras de greve e negociação coletiva. O governo argentino afirma que as medidas podem estimular contratações, enquanto entidades sindicais alertam para a precarização do trabalho.
Flávio Bolsonaro defende propostas inspiradas em Milei, como a extinção de pelo menos dez ministérios, reforma administrativa, privatizações e desregulamentação. Em junho, associou o plano de cortes de gastos, chamado de “tesouraço”, à motosserra que simboliza o governo argentino.
Zeca Dirceu questiona a adoção desse modelo no Brasil e defende que o debate econômico considere os efeitos sobre o emprego, a renda e os direitos sociais. Os indicadores argentinos alimentam a discussão sobre os custos do ajuste, embora não comprovem, isoladamente, que todos os resultados decorram das políticas de Milei.