Desconforto térmico
O desconforto térmico decorrente do frio é, em boa medida, resultado das escolhas feitas nas construções dos prédios públicos e das nossas casas.A empreiteira que levanta um prédio em São Paulo ergue outro praticamente igual em Guarapuava. Alvenaria convencional, piso cerâmico, janelas mal vedadas, sem vidro duplo e pouca preocupação com isolamento térmico.
Já quem manda construir a própria casa raramente faz do conforto térmico uma prioridade. Como diria a fundadora desta Rede, dona Cristina Esteche, o guarapuavano, quando planeja a planta de uma casa, primeiro quer saber onde ficará a piscina.
A calefação pode estar longe da realidade de muitas famílias. Mas aproveitar melhor a insolação, isolar o telhado, vedar portas e janelas, evitar quartos voltados para as faces mais frias e prever torneiras, chuveiros e lareiras a gás já seriam um bom começo, eu penso.
Pra piorar, contra o conforto térmico existe uma mentalidade curiosa segundo a qual sofrer com o frio faz parte da experiência de viver aqui. É como se o desconforto fosse inevitável, quase uma prova de resistência. "Sempre foi assim." Faz parte da identidade do sulista xucro.
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Políticas públicas
A cidade promove festivais, valoriza a gastronomia de inverno, divulga as geadas, celebra a estação como um atrativo turístico. No entanto, se o frio é uma marca da nossa identidade, o conforto térmico também deveria ser uma prioridade.
Isso significa discutir normas construtivas adequadas à realidade regional, incentivar projetos arquitetônicos que aproveitem melhor a insolação, melhorar a vedação das edificações, pensar em isolamento térmico, em aquecimento de ambientes públicos, em escolas, unidades de saúde e moradias populares.
Assim como ninguém considera extravagância uma casa com água encanada, rede elétrica ou saneamento básico, talvez um dia também pareça estranho construir casas onde seja mais frio dentro do que fora.
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