Sergio Moro venceu o Governo do Paraná prometendo uma administração técnica, eficiente e enxuta. Durante a campanha, afirmou que pretende escolher auxiliares pela competência e que não quer transformar secretarias em prêmio político.
A promessa é clara. A dúvida começa agora. Porque gestão técnica pode funcionar muito bem na escolha de secretários, na definição de metas e na cobrança por resultados. Mas a Assembleia Legislativa não funciona por currículo.
PL, Novo e Podemos, partidos que formaram a coligação de Moro, elegeram juntos 20 dos 54 deputados estaduais. O bloco é forte, mas ainda está oito votos abaixo da maioria absoluta.
O PL terá 14 cadeiras, exatamente o mesmo número do PSD. O PT, com oito deputados, será a terceira maior bancada e tende a formar o núcleo mais evidente de oposição ao novo governo.
Está desenhado, portanto, o primeiro grande paradoxo da gestão Moro. O governador eleito diz que pretende reduzir o peso das indicações políticas na máquina. Ao mesmo tempo, precisará conversar diariamente com uma Assembleia fragmentada, onde apoio a projetos, orçamento e prioridades passa necessariamente pela construção de alianças.
O próprio Moro já reconheceu durante a campanha que um governador precisa dialogar com a Assembleia e com os partidos.
A questão não é se haverá negociação. Haverá.
A questão é qual será o preço político dessa negociação.
Com 20 deputados diretamente ligados à sua coligação, Moro parte de uma posição confortável, mas não autossuficiente. O PSD, também com 14 cadeiras, surge como força decisiva. PP, Republicanos e MDB também poderão ser importantes para formar maiorias.
E é aí que a teoria da gestão encontra a prática do poder. É possível montar uma secretaria técnica. Mais difícil é administrar uma base legislativa apenas com critérios técnicos.
Deputado não é secretário. Não responde ao governador, tem mandato próprio, interesses regionais, compromissos partidários e eleitorais.
A nova Assembleia terá renovação de 42,59%, com 23 parlamentares que não integram a atual composição. Mas renovação de nomes não elimina a lógica da negociação política.
Moro venceu o governo no primeiro turno com 50,10% dos votos válidos. Agora começa uma eleição diferente, sem urna e sem discurso de palanque: a eleição cotidiana dos 28 votos necessários para governar com tranquilidade.
No Executivo, Moro poderá escolher técnicos. Na Assembleia, terá de fazer política. E talvez esse seja o primeiro grande teste de seu governo: descobrir até onde é possível ser enxuto na máquina sem ficar curto de votos no plenário.