Os gastos do Sistema Fiep com transportes e viagens mais que dobraram durante a gestão de Edson Vasconcelos, atual candidato a vice-governador na chapa de Sergio Moro (PL). De acordo com o relatório anual da entidade, a rubrica chegou a R$ 25,35 milhões em 2025.
Em 2022, último ano completo antes de Vasconcelos assumir a presidência, o valor havia sido de R$ 11,78 milhões. Em 2023, passou para R$ 17,03 milhões e, em 2024, atingiu R$ 20,01 milhões. Os números constam dos relatórios oficiais do Sistema Fiep.
Entre 2024 e 2025, portanto, a despesa aumentou cerca de 27%. O relatório de 2025 informa ainda que o Sistema Fiep mantém 54 unidades operacionais no Paraná e registra ações de internacionalização em 22 países.
Os gastos ganham repercussão política porque Vasconcelos integra a chapa de Moro nas eleições estaduais. Paralelamente, uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral apresentada por Sandro Alex (PSD) e pela coligação A Mudança Continua apura a alegação de que eventos e a estrutura da Fiep teriam sido utilizados para beneficiar politicamente Moro e Vasconcelos.
Neste mês, a Justiça Eleitoral determinou que a Fiep preserve documentos fiscais e contábeis relacionados a eventos promovidos entre 2024 e 2026. A determinação é uma medida de preservação de provas e não representa conclusão sobre as acusações, que ainda serão analisadas.
A defesa de Moro nega uso político dos eventos da Federação e sustenta que o senador participou das atividades como autoridade convidada. A ação eleitoral segue em tramitação no TRE-PR.
A gestão de Vasconcelos já havia sido alvo de questionamentos públicos sobre despesas da entidade. Em março, a Fiep reconheceu uma inconsistência no Portal da Transparência que havia classificado como “jardinagem” cerca de R$ 53 milhões em diferentes serviços. A Federação afirmou que o valor não correspondia aos gastos efetivos com jardinagem e informou que corrigiria os registros.