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Fala atribuída à secretária de Educação revolta famílias atípicas em Guarapuava
Após repercussão, secretária afirma que vídeo foi tirado de contexto e nega ter feito as falas atribuídas a ela
Cristina EstecheJornalista
4 min de leitura
Rosana Schwartz (Foto: Secom/Prefeitura de Guarapuava)
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A circulação de um vídeo em redes sociais e aplicativos de mensagens provocou forte reação de pais, mães e entidades ligadas à defesa de pessoas autistas e outras neurodivergências em Guarapuava. No conteúdo, atribuído à secretária municipal de Educação, Rosana Aparecida Schwartz, aparecem declarações que familiares consideram preconceituosas, desinformadas e ofensivas. A secretária nega e diz que o vídeo se trata de "montagem e fake news".
De acordo com relatos que se espalharam após a viralização do vídeo, a secretária teria afirmado que mães conseguem com facilidade laudos de autismo. E, com isso, acesso a um auxílio de cerca de R$ 1,6 mil por mês. Em outro trecho, também conforme o material que circula, ela teria dito que muitas mães entram na Justiça apenas para obter esse benefício e deixar de trabalhar, chegando a classificar a situação como “novo comércio”. Pais e mães contestam e relatam a dificuldade em se obter o laudo.
Eu tive que levar meu filho a Curitiba e só consegui o laudo após sete meses de tratamento.
O pai, Jeferson Belin, em vídeo enviado ao Portal RSN, também falou sobre a dificuldade de conseguir o laudo para o filho.
Em grupos de WhatsApp, redes sociais e entre famílias atípicas, o sentimento predominante é de indignação. Para os pais e mães, a suposta fala da secretária reduz uma realidade complexa a um estereótipo cruel. Ou seja, sugere que diagnósticos, ações judiciais e a própria luta por inclusão surgem como vantagem financeira.
Outro ponto que aprofundou a crise foi a menção, no vídeo, à orientação para que professoras “deixem as crianças à vontade”. Refere-se a estudantes autistas que necessitam de acompanhamento, mas que têm mobilidade e autonomia. Para familiares, a declaração banaliza a necessidade de apoio individualizado, planejamento pedagógico e suporte especializado dentro da escola.
MUNDO AZUL REPUDIA
Diante da repercussão, a Associação Guarapuavana Mundo Azul (AGMA) publicou nota de repúdio, classificando as falas atribuídas à secretária como “extremamente preocupantes, desrespeitosas e generalizantes”. A entidade afirmou que esse tipo de declaração reforça estigmas, coloca sob suspeita a luta legítima das famílias e ignora que o professor de apoio é um direito previsto em lei, e não privilégio.
A mobilização também começou a ganhar as ruas. O grupo “Direitos Já, Inclusão Não é Favor” articula manifestação e cobra, no mínimo, uma retratação pública. De acordo com dados do CTEA, e encaminhados a profissional da cidade, Guarapuava tem cerca de 1,7 mil crianças e adolescentes com TEA e outras neurodivergências nas escolas municipais e estaduais, o que amplia a dimensão do debate.
Somente na AGMA, de acordo com uma das diretoras da entidade, Losanja, são cerca de 500 famílias cadastradas. "Muitas famílias tem mais de um filho e ainda um dos pais com autismo."
PARA SECRETÁRIA É 'FAKE NEWS'
[caption id="attachment_328915" align="aligncenter"]Reprodução/Post InstagramReprodução/Post Instagram (Imagem: Reprodução/Post Instagram)[/caption]
Após a repercussão, a secretária se manifestou em uma publicação no Instagram, negando as acusações e afirmando que o vídeo se trata de uma montagem e de “fake news”. Essa mesma versão, conforme uma das diretoras da 'Mundo Azul, Losanja, foi dita a ela pela secretária.
Fontes da Prefeitura ouvidas pelo RSN afirmaram que estiveram na reunião e sustentam que, em nenhum momento, a secretária fez as declarações a ela atribuídas. De acordo com essas fontes, o encontro durou cerca de três horas e o vídeo que circula estaria fora de contexto. A Prefeitura, no entanto, preferiu não se pronunciar oficialmente sobre o caso.
Há ainda a informação de que a secretária já teria adotado as medidas cabíveis em relação à divulgação do material. Outra observação é de que Rosana possui pessoa com neurodivergência na família. Entretanto, para famílias que convivem com pessoas autistas e outras neurodivergências, o episódio expõe a tensão entre o discurso institucional de inclusão e a forma como famílias atípicas dizem ser tratadas na prática.
Mais do que uma polêmica momentânea, o caso reacende o debate sobre respeito, preparo técnico e compromisso do poder público com a inclusão escolar.
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