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Mario Luchetta (Foto: divulgação)
OPINIÃO

Educar para a Esperança: o chamado à Renovação Institucional

O Papa Leão XIV, com sua Carta Apostólica "Educar para a Esperança”, nos presenteia com um documento que transcende o âmbito eclesial

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
4 min de leitura

Mario Luchetta (Foto: divulgação)

*Este artigo de Luís Mário Luchetta não reflete necessariamente a opinião do Portal RSN. O Papa Leão XIV, com sua Carta Apostólica "Educar para a Esperança”, por ocasião dos 60 anos da Gravissimum Educationis do Vaticano II, nos presenteia com um documento que transcende o âmbito eclesial. Assinado em 27 de outubro, o documento – cujo título original evoca "Desenhar novos mapas de esperança" – reflete sobre desafios da atualidade e traz importantes provocações. O Pontífice afirma que a mensagem conciliar "não perdeu sua força" e ganha "resiliência surpreendente" em uma era digital e complexa, impulsionando comunidades educativas a construir pontes criativas para formação profissional e cívica. Mais do que um texto teológico, é um manifesto de inspiração para instituições em crise. Temos apontado em artigos anteriores a gravidade do enfraquecimento de nossas estruturas públicas e privadas. O Papa, neste sentido, surpreende positivamente ao priorizar o fortalecimento da Igreja como modelo de resiliência. Leão XIV ecoou uma visão de simplicidade que elimina privilégios históricos. Esse alerta à simplicidade não é só para clérigos: é lição para todas as instituições brasileiras, que precisam ouvir estrategicamente suas bases – funcionários, cidadãos, famílias – e priorizar demandas urgentes, como educação de qualidade, em vez de inchaços burocráticos ou clientelismos. Um ponto luminoso especial é a citação de Santo Agostinho: o "mestre autêntico inspira o desejo da verdade e educa para a liberdade de ler os sinais e escutar a voz interior". Essa frase precisa ser copiada por todos nós – educadores, líderes empresariais, políticos. No Brasil, onde a educação é refém de ideologias polarizadas, imagine professores inspirando não obediência cega, mas busca autônoma pela verdade. Reflete nossa máxima: juntos somos mais fortes. O Papa enfatiza o "nós" colaborativo – professor, aluno, família, administradores e sociedade civil convergindo para gerar vida. "Ninguém educa sozinho", alerta, promovendo uma "aliança educativa" onde o ensino é "profissão de promessas": tempo, confiança, justiça e misericórdia. A verdade se busca em conjunto, ao invés de em silos isolados, como vemos em tantas instituições que ignoram o diálogo para impor agendas. Outro alerta inspirador que destacamos, caro leitor: a liberdade não é capricho, mas resposta; a autoridade, não dominação, mas serviço. Usando a metáfora das estrelas fixas, Leão XIV nos lembra que princípios educativos guiam para a concórdia, educando para o mundo sem erguer muros. "Somos filhos, não órfãos: dessa consciência nasce a fraternidade". Que lição para nossas lideranças! Em um país em que a maioria ocupa mandatos para se servir, não para servir, essa visão clama por humildade. E a Família? O Papa a consagra como "principal lugar da educação", núcleo irremplazível onde escuta e responsabilidade florescem. "É esforço e bênção: quando funciona, inspira confiança; quando falta, tudo se torna mais frágil". É fato inequívoco que a Família precisa ser fortalecida e protegida. Leão traz uma abordagem singular e motivadora. Essa carta, caro (a) leitor (a), pode inspirar nossas lideranças nacionais a priorizar a educação – não como gasto, mas investimento na dignidade e no bem comum. "A educação não mede seu valor apenas pelo eixo da eficiência: ela o mede pela dignidade, pela justiça e pela capacidade de servir ao bem comum". Quiçá desperte instituições para redescobrirem propósitos originais, abandonando o servilismo a ocupantes de plantão. Em tempos de fragmentação e tantos desafios, Leão XIV traça mapas de esperança. Cabe a nós, navegar por eles – com simplicidade, serviço e colaboração. É preciso foco nos propósitos que nos movem e energia para fazer diferente e, assim, fazer a diferença. Leia outras notícias no Portal RSN.
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