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DERROTA DE TRUMP

Derrota de Trump nos EUA pode mexer com dólar, exportações e relações comerciais

De acordo com analistas, o impacto mais direto poderá ocorrer nas exportações brasileiras

Cristina Esteche
Cristina Esteche Jornalista
5 min de leitura
Donald Trump
Donald Trump

A vitória dos democratas nas eleições legislativas dos Estados Unidos, nesta terça (3), impôs uma derrota política ao presidente Donald Trump e mudou o equilíbrio de forças em Washington. Com o controle da Câmara e do Senado, a oposição terá maior poder para fiscalizar o governo e dificultar a aprovação da agenda. O resultado também traz consequências para o Brasil, principalmente no comércio exterior, no mercado financeiro e nas relações diplomáticas.

De acordo com analistas, o impacto mais direto poderá ocorrer nas exportações brasileiras. As tarifas comerciais adotadas pelo governo Trump elevaram os custos de entrada de determinados produtos nos Estados Unidos, prejudicando a competitividade de empresas nacionais. Com o Congresso sob controle democrata, aumenta a possibilidade de questionamentos e pressões sobre essas medidas. Entretanto, a revisão das tarifas não será automática, pois o presidente mantém atribuições importantes na política comercial.

Outro efeito importante envolve o dólar, segundo o mercado financeiro. A vitória democrata provocou enfraquecimento da moeda americana no mercado internacional nesta quarta (4). Se essa tendência chegar ao Brasil e se sustentar, poderá reduzir os preços em reais de produtos importados, combustíveis e insumos industriais cotados em dólar. Isso ajudaria a conter parte das pressões inflacionárias, embora o resultado também dependa dos preços internacionais e das condições econômicas brasileiras.

Os investimentos estrangeiros também poderão ser afetados. Mudanças nas expectativas sobre juros, crescimento econômico e gastos públicos americanos influenciam o destino do capital internacional. Uma eventual entrada maior de recursos no Brasil poderia favorecer o mercado financeiro e o financiamento de empresas. Por outro lado, conflitos entre Trump e o Congresso sobre orçamento e dívida pública poderão aumentar a instabilidade e levar investidores a buscar ativos considerados mais seguros.

No agronegócio, os reflexos dependerão principalmente das decisões comerciais dos Estados Unidos e da relação americana com a China. Mudanças nas tarifas e nas compras chinesas de produtos agrícolas podem alterar a demanda internacional por soja, milho e carnes, afetando preços e exportações brasileiras. Já para a indústria nacional, uma eventual redução das barreiras comerciais americanas poderá facilitar o acesso de produtos brasileiros àquele mercado.

No campo político, o novo Congresso também poderá influenciar as relações entre Brasília e Washington. O governo brasileiro terá de acompanhar as disputas internas americanas em temas como comércio, energia, meio ambiente e minerais estratégicos. Apesar do avanço democrata, Trump continuará responsável pela condução da política externa, o que significa que divergências diplomáticas e comerciais poderão permanecer.

Para o Brasil, o resultado das urnas americanas abre um período de oportunidades e incertezas. A possível revisão de barreiras comerciais e os movimentos do dólar poderão produzir efeitos sobre exportadores, empresas e consumidores. Entretanto, os benefícios não são garantidos: dependerão das negociações bilaterais, das decisões econômicas em Washington e da reação dos mercados internacionais.