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Cesta básica sobe pelo terceiro mês seguido e chega a R$ 768,55 em Guarapuava
Batata disparou quase 50% em abril e puxou a alta. Trabalhador com salário mínimo precisa destinar 47,41% da renda para comprar os 13 itens da cesta
Thiago de OliveiraJornalista
3 min de leitura
Ao todo, sete dos 13 itens da cesta ficaram mais caros em abril, (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
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O custo médio da cesta básica em Guarapuava chegou a R$ 768,55 em abril, alta de 1,43% em relação a março, quando o conjunto de alimentos custava R$ 757,69. É o terceiro mês consecutivo de aumento, segundo levantamento do Núcleo de Estudos e Práticas Econômicas (Nepe), do Departamento de Ciências Econômicas (Decon) da Unicentro.
O avanço é menor do que o registrado em março, mas consolida uma tendência de pressão sobre o orçamento das famílias. Desde janeiro, quando a cesta custava R$ 718,35, o valor acumulou alta de 6,98%. Mais de R$ 50 a mais no carrinho em três meses.
Quem recebe um salário mínimo precisa dedicar 47,41% da renda — ou 104 horas de trabalho — para pagar apenas a alimentação básica. Em janeiro, esse percentual estava em 44,32%. Ou seja, o reajuste do salário mínimo dado no início do ano já perdeu boa parte do fôlego.
BATATA QUASE 50% MAIS CARA
O destaque negativo de abril foi a batata, que disparou 49,28% em um único mês. O motivo: fim da safra das águas e chuvas nas regiões produtoras que dificultaram a colheita, reduzindo a oferta no mercado. Também subiram:
Tomate: +10,49%
Leite: +6,39%
Feijão: +6,02%
Pão francês: +2,83%
Carne bovina: +2,13%
Ao todo, sete dos 13 itens da cesta ficaram mais caros em abril, o que o estudo chama de Índice de Difusão de 58%. As altas foram proporcionalmente maiores do que as quedas, resultando no encarecimento final da cesta.
QUEDAS NÃO SEGURARAM O AVANÇO
Alguns produtos aliviaram o bolso, mas sem força suficiente para compensar:
Banana: −24,16%
Arroz: −7,48%
Manteiga: −2,64%
Farinha: −2,02%
Óleo de soja: −1,83%
Café: −1,65%
A banana, que havia puxado alta expressiva em março, agora recua por conta do calendário produtivo. O pico da safra concentra-se entre abril e junho.
IMPACTO MAIOR EM QUEM GANHA MENOS
Para trabalhadores com renda de até três salários mínimos, a cesta compromete em média quase 29% do salário, chegando a 47,41% para quem recebe o piso nacional. Para cobrir alimentação e outras despesas essenciais como moradia, transporte, saúde e educação, o salário mínimo necessário em Guarapuava foi estimado em R$ 5.456,54.
GUARAPUAVA ENTRE AS MAIS CARAS DO PAÍS
Comparada a capitais pesquisadas pelo Dieese, Guarapuava estaria na 11ª posição entre as mais caras, com R$ 768,55 — acima de Brasília (R$ 768,22), Fortaleza (R$ 767,67) e das capitais do Norte e Nordeste. À frente estão São Paulo (R$ 906,14), Cuiabá (R$ 880,06) e Rio de Janeiro (R$ 879,03).
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