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Cesta básica sobe 4,99% em março, maior alta em quase dois anos
Custo médio chegou a R$ 757,69 em Guarapuava. Trabalhador precisa destinar 46,74% do salário mínimo para comprar os 13 itens da cesta
Thiago de OliveiraJornalista
3 min de leitura
9 dos 13 itens da cesta básica subiram (Foto: Tânia Rego/Agência Brasil)
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O custo médio da cesta básica em Guarapuava chegou a R$ 757,69 em março. Uma alta de 4,99% em relação a fevereiro, quando o conjunto de alimentos custava R$ 721,69. O levantamento é do Núcleo de Estudos e Práticas Econômicas (Nepe), do Departamento de Ciências Econômicas (Decon) da Unicentro. Segundo o estudo, trata-se do maior avanço mensal desde maio de 2024.
Embora o reajuste do salário mínimo neste ano tenha reduzido o peso proporcional da cesta no orçamento, o avanço de março mostra que esse alívio pode ser curto. Hoje, a compra dos itens básicos consome 46,74% do salário mínimo, o equivalente a quase metade da renda mensal de quem recebe o piso nacional.
O valor da cesta subiu R$ 36 em apenas 30 dias, ritmo muito acima da inflação média mensal observada na economia brasileira. Na prática, isso significa perda imediata de poder de compra para famílias de baixa renda, especialmente aquelas que concentram grande parte do orçamento em supermercado.
SÉRIE HISTÓRICA
Os dados de março nos últimos anos revelam que o custo da alimentação segue em patamar elevado:
2023: R$ 587,94
2024: R$ 664,22
2025: R$ 773,78
2026: R$ 757,69
Mesmo abaixo do pico registrado em março do ano passado, o valor atual continua muito acima do observado há dois anos. Em comparação com março de 2023, a cesta está quase R$ 170 mais cara.
BANANA, LEITE E BATATA PUXARAM DISPARADA
Entre os produtos pesquisados, as maiores altas atingiram itens básicos e de consumo frequente:
Banana: +25,63%
Leite: +21,85%
Batata: +17,46%
Arroz: +10,35%
Tomate: +9,36%
Também subiram carne bovina, manteiga e óleo de soja. Conforme o levantamento, problemas climáticos, sazonalidade, custos de transporte e fertilizantes ajudaram a pressionar os preços.
QUEDAS NÃO COMPENSARAM AVANÇO
Alguns produtos ficaram mais baratos, mas sem força para conter o impacto geral:
Feijão: −15,77%
Pão francês: −4,73%
Açúcar: −2,10%
Café: −1,38%
Como nove dos 13 itens subiram, o movimento de alta prevaleceu e elevou o custo final da cesta.
SALÁRIO IDEAL PASSARIA DE R$ 5,3 MIL
Para cobrir alimentação e demais despesas essenciais, como moradia, transporte, saúde e educação, o salário mínimo necessário em Guarapuava foi estimado em R$ 5.379,45. O dado reforça o descompasso entre renda oficial e custo real de vida enfrentado por grande parte da população.
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